Empresa alvo do Gaeco recebeu R$ 128 mil em contrato com Câmara de Terenos.

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Empresa alvo do Gaeco recebeu R$ 128 mil em contrato com Câmara de Terenos.

Contrato foi assinado em 2022 e renovado por duas vezes.

A Impacto Mais, empresa alvo do Gaeco/MPMS (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado, do Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul), nesta terça-feira (21), recebeu mais de R$ 128 mil da Câmara Municipal de Terenos. O contrato foi válido de 2022 a 2024.

Em agosto de 2022, a Impacto assinou contrato para a “prestação de serviços de divulgação em site e jornal, de circulação regional de notícias, matérias e atos oficiais e de interesse da Câmara de Vereadores de Terenos”. O termo foi renovado em 2023 e 2024.

No total, a empresa recebeu R$ 128.160 no período de dois anos. A contratação e as renovações têm a assinatura do então presidente da Casa, Marcos Inácio Campos, o Marquinhos da Van (PSDB). 

Com uma nova legislatura iniciando-se em 2025, não houve renovação. Não há nenhuma indicação no Portal da Transparência de que o serviço tenha sido prestado por outra empresa.

O Jornal TOPS DO MS NEWS tentou contato com o vereador Marquinhos da Van, mas não obteve resposta. O espaço continua aberto para manifestação.

Gráfica também foi alvo de operação do Gaeco
Outro alvo da ação foi a Paulgráfica, que fica no Jardim Aero Rancho, região sul de Campo Grande. Policiais do BPMChoque (Batalhão de Polícia Militar de Choque) estiveram no local na manhã de hoje.

Foi cumprido um mandado de prisão. Em 2024, a empresa participou de uma licitação para fornecer material gráfico para a Câmara, mas foi superada por duas concorrentes.

Ao Jornal TOPS DO MS NEWS, o advogado da empresa, Paulo Eduardo da Rocha, informou que o proprietário só irá se manifestar após a defesa ter acesso integral aos autos do processo.

Gaeco deflagra duas operações contra fraude em licitações da Câmara e da Prefeitura de Terenos


Em 21 de janeiro de 2026, o Gaeco/MPMS (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado, do Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul) e a Promotoria de Justiça de Terenos deflagraram as operações Collusion e Simulatum contra fraudes em licitações da Câmara e da Prefeitura de Terenos. Policiais do BPMChoque (Batalhão de Polícia Militar de Choque) deram apoio à ação.

Foram cumpridos seis mandados de prisão e 23 de busca e apreensão pela Collusion, e sete mandados de busca e apreensão pela Simulatum, em Terenos, Campo Grande e Rio Negro.

A Operação Collusion investiga uma organização criminosa que fraudava licitações e contratos públicos, além de cometer crimes relacionados. Os investigados se associaram para obter contratos relacionados a materiais e serviços gráficos firmados com o município e a Câmara Municipal de Terenos, desde o ano de 2021.

Já a Operação Simulatum identificou um grupo que fraudava contratos de publicidade e locação de equipamentos de som firmados com a Câmara Municipal de Terenos, também desde o ano de 2021.

A expressão em inglês “Collusion” significa “conluio” e remete à ideia de acordos ilícitos realizados entre os investigados, com o objetivo de fraudar contratos públicos.

Já o nome “Simulatum”, que no latim quer dizer “simulado”, refere-se à forma de atuação dos investigados, que simulavam competição entre si, a fim de praticar os crimes em questão.

Varredura na casa de empresário
Os agentes do Gaeco estiveram na casa do empresário Francisco Elivaldo de Souza e no escritório do grupo Impacto, que fica em frente à residência, no bairro Carandá Bosque.

À reportagem, o advogado de Francisco, Renan Augusto Vieira, disse que ele não irá se pronunciar para “não atrapalhar as investigações”.

Conforme dados públicos da Receita Federal, a empresa Impacto Empresa de Jornalismo Ltda. existe desde 1987 e tem como principal atividade econômica a edição de jornais diários, mas também atua com rádio, publicidade e marketing.

Com capital social de R$ 21 mil, o único proprietário da empresa consta como Francisco.

Sociedade
Francisco é sócio do empresário Urandir Fernandes de Oliveira na empresa BDM Dourado Digital Gestão de Ativos Ltda. (CNPJ 37.992.346/0001-23).

Urandir é proprietário da empresa Dakila Comunicações, que tem como sede um imóvel ao lado da casa de Francisco, no Carandá Bosque. O edifício passa por reforma.

Conforme apurado pela reportagem, a Dakila Comunicação, fundada em 2024, adquiriu o referido imóvel do grupo Impacto.

Apesar disso, nem Urandir, nem o grupo Dákila estão sendo investigados.

O Jornal TOPS DO MS NEWS falou com a advogada do ecossistema Dákila. Kézia Miranda ressaltou que “a BDM Dourado é uma outra empresa, ou seja, são empresas completamente distintas, objetos distintos e atividades distintas”.

A advogada explica que dois CNPJs em que Francisco consta como sócio de Urandir já estão em processo de liquidação e baixa contábil.

Ainda, ressalta que as buscas do Gaeco se restringiram a um imóvel vizinho ao prédio que pertence ao grupo Dákila, “sem qualquer vínculo jurídico, patrimonial ou operacional com o grupo ou com seu fundador [Urandir]”.

Assessoria de Imprensa do TOPS DO MS NEWS.