Mesmo com nova variante, prefeitura de Campo Grande descarta passaporte da vacina
Prefeito Marquinhos Trad (PSD) alegou que não vai tornar obrigatório o chamado passaporte da vacina, lockdown e nem toque de recolher.
Com a chegada da variante Ômicron, identificada primeiro na África do Sul e que já tem casos espalhados pela Europa, Prefeitura de Campo Grande se reuniu nesta nesta terça-feira (30) para discutir a implementação de novas medidas de biossegurança, como adiantado pelo Veículo de comunicação TOPS DO MS NEWS.
Contudo, o prefeito Marquinhos Trad (PSD) alegou que não vai tornar obrigatório o chamado passaporte da vacina, lockdown e nem toque de recolher, usado durante quase um ano na Capital.
"Ainda não há certeza do grau de lesividade dessa Ômicron, é necessário o retorno das pessoas a 2º e 3º dose. Uso de proteção da máscara é fundamental nesse momento de tempo. Evitar aglomerações, compartilhamento de objetos que são ingeridos via oral, e continuar o uso do álcool gel", disse.
Desta forma a prefeitura vai exigir o comprovante de vacina para eventos realizados pela pasta, mas não vai obrigar estabelecimentos privados a aderirem ao passaporte.
"Na iniciativa privada, se eles decidirem que devem apresentar o passaporte tenho certeza que a maioria das pessoas vão preferir aqueles que tenham o passaporte do que os outros que não tenham", afirmou Marquinhos.
Para a programação de Natal, que começa a partir do dia 10 de dezembro com show de abertura do ‘Mundo Bita’ e encerramento no dia 26 de dezembro com show da ‘Patrulha Canina’, será exigido a carteira de vacinação contra a Covid-19 para os pais, uso de máscara e distanciamento.
Apenas mil pessoas poderão participar de cada show.
De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), 35.395 pessoas com 12 anos ou mais ainda não tomaram a 1º dose em Campo Grande, 60.873 não voltaram para receber a 2º, e 24.274 pessoas que poderiam ter recebido a 3º dose ainda não compareceram aos locais de imunização.
VARIANTE
De acordo com pesquisadores, a variante Ômicron tem cerca de 50 mutações, incluindo mais de 30 na proteína spike, a proteína viral que as vacinas preparam o corpo para reconhecer e atacar.
Algumas dessas mutações já tinham sido observadas. Acredita-se que algumas tenham potencializado a capacidade da variante Beta de contornar as vacinas, enquanto outras provavelmente turbinaram a extrema contagiosidade da Delta.
O vírus já foi encontrado em alguns países europeus, como Reino Unido e Portugal, além de Austrália, Israel e Hong Kong.
A vairante já é responsável pela maioria dos 2.300 novos casos diários na província de Gauteng, na África do Sul, anunciou o presidente Cyril Ramaphosa no domingo(28).
Naquela região, as novas infecções mais do que triplicaram na semana passada e a positividade dos testes aumentou de 2% para 9%.
Segundo o pesquisador Julio Croda, pouco se pode dizer ainda sobre a variante, mas há indícios de que ela possa ser mais contagiosa que as outras, já que em pouco tempo se tornou predominante entre os casos positivos na África do Sul.
“A única coisa que a gente sabe, mas ainda não está confirmado, é que provavelmente ela é mais transmissível, porque ela se tornou a variante predominante muito rápido na África do Sul, superando a Delta, e quando uma variante se torna mais predominante é porque ela é mais transmissível".
"Mas a gente ainda não tem a informação de que as vacinas funcionam, de que quem se contaminou previamente está protegido, não tem nada desses dados".
"Não sabemos se ela é mais letal ou menos grave, é só informações que não são científicas, que são relatos vindos de diversas fontes, então ainda não tem muitas informações sobre essa variante”, declarou.
Por causa disso, o infectologista reafirma a necessidade das pessoas se imunizarem e, para quem já pode, que busque a terceira dose.
“Temos que acelerar a segunda dose e dose de reforço para garantir proteção para hospitalização e óbito".
O passaporte deve ser instituto para aumentar a cobertura vacinal. Nesse cenário de incerteza, quanto maior for a cobertura vacinal, maior a chance de estarmos protegido para as formas graves”.