Prefeita quer restringir atendimento de UPA veterinária que ainda não foi inaugurada
Se forem aprovadas as alterações, a UPA-VET não terá atendimento 24h, nem cirurgias, e atenderá apenas cães e gatos domésticos.
Em 2015, a Prefeitura de Campo Grande aprovou a Lei nº 5.593, que autoriza a Criação de uma Unidade de Pronto Atendimento Veterinário (UPA-VET), no âmbito do município. No entanto, a prefeita Adriane Lopes pediu que a Câmara Municipal altere aspectos da lei que mudam totalmente a forma de atendimento da unidade, que até hoje não foi inaugurada.
Em mensagem enviada no dia 8 de abril, a prefeita pede que altere o artigo 2º, que previa “o atendimento de urgência e emergência aos animais domésticos caninos, felinos, equinos, asininos e de muares da capital, prestando os primeiros socorros, além de oferecer serviços de consulta, orientações, medição de urgência, cirurgias, entre outros”.
Se for aprovada a alteração proposta pela prefeita, a UPA-VET vai prestar apenas atendimento médico veterinário clínico, ambulatorial, de emergência e de urgência, a cães e gatos. Os cavalos, jumentos e mulas, que estavam previstos na lei original, não poderão ser atendidos, e serviços como cirurgias seriam retirados da lista de atividades da clínica.
O artigo 3º também seria alterado. No texto original, a Unidade de Pronto Atendimento funcionaria 24h por dia e atenderia animais domésticos, soltos e abandonados. Com a alteração enviada por Adriane, o funcionamento da unidade seria realizado “em conformidade com a organização administrativa”, não especificando o horário de atendimento.
Adriane Lopes ainda acrescentou novos artigos a lei, em que reduz ainda mais a capacidade de atendimento da futura UPA-VET. No texto, a prefeita restringe o atendimento a animais de tutores que apresentem renda familiar de até dois salários mínimos ou que possuam cadastro no CadÚnico, programa do Governo Federal, atualizado nos últimos 12 meses.
As alterações geraram revolta nas redes sociais, de pessoas ligadas a causa animal. A ativista Greice Maciel, publicou vídeo em seu Instagram, pedindo para que os vereadores sejam contra as alterações, e que as pessoas cobrem os parlamentares, o voto negativo.
Segundo Greice, a UPA seria de extrema importância para desafogar o atendimento aos animais de rua e animais em situação de vulnerabilidade. "Os protetores e as ONGs estão superlotados, endividados, implorando por ajuda financeira, ajuda com ração para manter os animais, e nossa capital não tem nenhum suporte eficaz pra essas pessoas que cuidam, que fazem o trabalho que é do poder público", informou a ativista.