Prefeito Marcos Trad é contra gratuidade no transporte para estudantes de escolas particulares
Marquinhos Trad disse que se estudante tem condições de pagar escola, não tem porquê andar de graça no ônibus.
O prefeito de Campo Grande, Marcos Trad (PSD), voltou a afirmar que, para ser justo, a prefeitura e o governo do Estado deveriam pagar pelos passes de estudantes das redes municipal e estadual de ensino.
Na manhã desta quarta-feira (22), o prefeito afirmou ser contra a gratuidade do transporte coletivo para estudantes de escolas ou universidades particulares.
“Tem 2 mil [estudantes] de escola particular que ganha passe. É um contrassenso, se a pessoa tem dinheiro para pagar a escola particular, porque ela vai andar de graça no ônibus?”, questionou Marquinhos.
Conforme reportagem do Veículo de comunicação TOPS DO MS NEWS, o subsídio na gratuidade é discutido por meio do município, que tenta mecanismos para fazer o reequilíbrio econômico-financeiro do contrato de concessão assinado com o Consórcio Guaicurus.
O prefeito disse ainda que é a favor de cada responsável pagar ao consórcio o referente as gratuidades que cabem a eles.
Ou seja, segundo ele, a prefeitura deve subsidiar o transporte dos alunos das escolas municipais, enquanto o governo deve pagar o referente aos alunos das escolas estaduais que fazem uso do benefício.
“Não sou contra retirada de nenhuma gratuidade, mas sou a favor daqueles que são responsáveis pagar pela gratuidade, se tem 3 mil alunos meus por mês, eu tenho que pagar esses 3 mil, tirar da prefeitura e pagar o consórcio, e não o aluno”, explicou.
Quanto as demais categorias que têm direito ao transporte gratuito, o prefeito afirma que deveria ser de responsabilidade de quem liberou o benefício.
“O governo federal fala que é para liberar os idosos, sou a favor, mas eles tinham que subsidiar um pouco, tem que ajudar, se não, não dá, uma hora a conta não fecha”.
Ele afirmou ainda que a reivindicação do Consórcio Guaicurus, de subsídio, é justa, pois o valor da gratuidade é redistribuída para as pessoas que pagam a passagem.
“Imagina um motorista de Uber, vem lei federal dizendo que todos os motoristas de Uber tem que carregar de graça os idosos, você fala 'eu carrego, mas vocês não vão me ajudar com a gasolina?', não”, exemplificou.
“Aí vem o estado e fala: além de você ser obrigado a carregar pessoas idosas, você é obrigado a carregar todos que tiverem carteira de estudante do estado, só que você vai ter que carregar de graça e eu não vou te dar nada”, continuou.
“Aí vem o município e fala, além do idoso e do estudante do estado, agora carrega estudante do município, você vai falar 'poxa, daqui a pouco vocês querem que eu trabalhe de graça'”, acrescentou.
“Chega em um ponto que o transporte coletivo fala: não vale a pena. É isso que está acontecendo”, concluiu Marquinhos Trad.
Passe do estudante
Em 2022, segundo tabela do ano letivo divulgada pela Secretaria de Estado de Educação (SED), os alunos do governo terão 205 dias letivos.
Isso significa que no próximo ano, se as outras instituições seguirem essa mesma quantidade (lei nacional determina mínimo de 200 dias letivos para o ensino regular e superior), o custo dessa gratuidade, que hoje beneficia 13 mil estudantes, chegaria a R$ 22.386.000,00 para o período todo.
Esse valor, porém, conta com todos os estudantes cadastrados pelo Consórcio Guaicurus que utilizam esse benefício, ou seja, além dos alunos da Reme e REE, estão os da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e da rede particular de ensino (tanto do ensino fundamental e médio, quanto do superior).
De acordo com dados da concessionária, dos 13 mil alunos cadastrados, 41,91% são da Rede Estadual, o que significa que no ano letivo de 2022 o governo deveria transferir ao consórcio R$ 8.010.328,21.