Sem dinheiro para professores, Câmara fica “sem clima” para aprovar aumento de até 159% aos privilegiados.

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Sem dinheiro para professores, Câmara fica “sem clima” para aprovar aumento de até 159% aos privilegiados.

A falta de dinheiro para conceder reajuste de 10,39% aos professores da rede municipal de ensino acabou com o “clima” na Câmara Municipal de Campo Grande, que pretendia aprovar o aumento de até 159% nos salários de um grupo seleto e privilegiado do funcionalismo municipal. Entre os beneficiados, a prefeita Adriane Lopes (Patri), secretários municipais e 405 integrantes da elite dos servidores.

Pela proposta, o salário da prefeita passaria de R$ 21.263,62 para R$ 35.462,22, aumento de 66%, apesar da Constituição proibir a concessão de reajuste na mesma legislatura. O reajuste automaticamente contemplaria 405 funcionários, como procuradores municipais, auditores da receita, médicos, odontólogos, entre outros, que recebem o valor máximo e teriam reajuste automático com a correção no vencimento da chefe do Executivo.

O presente de Natal contemplaria ainda os secretários municipais com o aumento dos sonhos, de 159%, com o subsídio passando de R$ 11.619,70 para R$ 30.142,70. O valor não incluir a folha secreta, que levou os integrantes do primeiro escalão a ganhar mais de R$ 50 mil, conforme noticiou o Correio do Estado.

O plano de aprovar o aumento fantástico fracassou por ter sido ventilado na hora errada duas vezes. A primeira foi antes do segundo turno e poderia comprometer a campanha de Eduardo Riedel (PSDB), que tinha o apoio da prefeita e da maior parte dos vereadores.

O segundo foi retomar a discussão em meio a alegação da suposta falta de dinheiro para cumprir a lei e conceder o reajuste de 10,39% no salário dos professores. Eles fizeram greve, que acabou suspensa pela Justiça a pedido de Adriane.

Aliás, a prefeita já avisou que não cumprirá o acordo feito pelo antecessor, Marquinhos Trad (PSD), e vai tentar derrubar a Lei 6.796, aprovada pelos atuais vereadores em março deste ano. Ela ressaltou que o aumento é inconstitucional.

A decisão de Adriane deve acirrar o clima com os professores, que lutam desde 2012 pelo cumprimento da lei que prevê o pagamento do piso nacional para jornada de 20h. A ACP (Sindicato dos Profissionais de Educação Pública) exige o reajuste para professores da ativa e inativos. Adriane quer excluir os aposentados do aumento.

Um professor com 40h na rede municipal tem salário inicial de R$ 6.672,95, enquanto a prefeita e os privilegiados ganham R$ 21,2 mil. Só o aumento a ser concedido a Adriane e à elite do funcionalismo representa dois salários dos professores.

Essa falta de clima melou o projeto de priorizar apenas quem ganha mais, tipo, dando mais para quem já tem muito e negando o pouco a quem tem pouco. É a prática do velho costume da política brasileira, que garante o céu aos políticos e o purgatório aos pobres plebeus.

Os auditores alegam que o salário acumula perda de 115% entre 2004 e 2022. Isso porque o vencimento subiu 33% em 2012, quando o salário do prefeito passou de R$ 15.882 para R$ 20.412,42. Em 2019, Marquinhos corrigiu em 4,17%, elevando para R$ 21.263,62, que foi derrubado na Justiça por ter sido concedido fora de época.

Estima-se que o impacto seria de R$ 3,8 milhões. Mas o problema continua sendo a falta de dinheiro para pagar o reajuste dos professores, a base de qualquer mundo civilizado e de uma cidade que queira ser desenvolvida economicamente e socialmente.

A Câmara vai tentar retomar o projeto da alegria em fevereiro, quando retoma os trabalhos. Os vereadores vão ter cara de pau para tanto?

Sem dinheiro para professores, Câmara fica “sem clima” para aprovar aumento de até 159% aos privilegiados.

FONTE: TOPS DO MS NEWS.