Verba indenizatória tem aumento de 257% em 6 anos e farra de vereadores custa R$ 10,4 milhões.
A verba indenizatória paga pela Câmara Municipal de Campo Grande acumula aumento de 257% em seis anos – passou de R$ 8,4 mil em janeiro de 2017 para R$ 30 mil neste mês. O reajuste foi seis vezes acima da inflação registrada no período. A farra dos 29 vereadores com a ajuda de custo vai custar R$ 10,440 milhões por ano ao povo de Campo Grande.
O presidente da Câmara Municipal, Carlos Augusto Borges, o Carlão (PSB), autorizou o reajuste de 20% neste mês, com o montante pago a cada parlamentar passando de R$ 25 mil para R$ 30 mil. A correção ocorre mesmo diante da gravíssima crise financeira enfrentada pelo município.
Até janeiro de 2017, cada vereador tinha direito a ajuda de custo de R$ 8,4 mil por mês. No dia 23 daquele mês, o então presidente da Câmara e atual secretário municipal de Governo, João Rocha (PP), autorizou o reajuste de 100% e o valor passou para R$ 16,8 mil.
Na época, o Ministério Público Estadual ingressou com ação civil pública para suspender o reajuste. O juiz David de Oliveira Gomes Filho, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, acabou com a farra ao conceder liminar para suspender o aumento de 100%. No entanto, a Câmara recorreu e o Tribunal de Justiça derrubou a tutela de urgência.
No dia 30 de dezembro de 2021, o atual presidente do legislativo, Carlão, autorizou reajuste de 48% e a verba indenizatória passou de R$ 16,8 mil para R$ 25 mil por mês. Na última sexta-feira (29), o socialista novamente ignorou a crise e ampliou a farra com o dinheiro público ao reajustar o valor em 20%, de R$ 25 mil para R$ 30 mil.
Em seis anos, entre 2017 e este ano, os vereadores da Capital elevaram a farra com a verba indenizatória de R$ 2,923 milhões para R$ 10,440 milhões por ano.
A evolução da farra com a verba indenizatória
Até janeiro de 2017 – R$ 8,4 mil por mês – R$ 2,923 milhões
Fevereiro de 2017 – R$ 16,8 mil – R$ 5,846 milhões
dezembro de 2021 – R$ 25 mil – R$ 8,7 milhões
Outubro de 2023 – R$ 30 mil – R$ 10,440 milhões
O aumento acumulado no período é de 257%, mais que vezes a inflação oficial, com base no IPCA calculado pelo IBGE e usado como base para o reajuste dos servidores públicos municipais. A inflação oficial acumulada no período foi de apenas 39,94%.
Caso o IPCA fosse considerado no cálculo, a verba indenizatória da Câmara deveria passar de R$ 8,4 mil, em janeiro de 2017, para R$ 11.754.96 por mês. Os vereadores estão ganhando quase três vezes este valor.
Enquanto os parlamentares torram uma fortuna com “ajuda de custo”, a população sofre os efeitos da crise, uma das mais graves na história da Capital.
O município não dispõe de recursos para pagar o piso nacional dos professores, o adicional de insalubridade dos profissionais de enfermagem, postos de saúde estão sem 45 medicamentos, hospitais estão deixando a rede de urgência, faltam vagas para pacientes graves, falta dinheiro para exames de raio-X e tomografia, há uma fila gigantesca de doentes a espera de consultas com especialistas, …
No entanto, pelo menos uma classe, formada por 29 vereadores, não tem do que reclamar das finanças públicas do município de Campo Grande.
Veja os atuais vereadores de Campo Grande




Assessoria de Imprensa do TOPS DO MS NEWS.