Valdemar vem a Campo Grande Mato Grosso do Sul para tentar resolver resistência de bolsonaristas ‘raiz’ a Reinaldo Azambuja.

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Valdemar vem a Campo Grande Mato Grosso do Sul para tentar resolver resistência de bolsonaristas ‘raiz’ a Reinaldo Azambuja.

Valdemar diz que Reinaldo vai organizar partido, mas corrige em seguida, dizendo que já organizou. (Reprodução)
Após ficar cerca de três décadas de PSDB, o ex-governador Reinaldo Azambuja ainda enfrenta rejeição na ala bolsonarista do PL para se firmar como candidato do partido ao Senado.

Para tentar pacificar o partido, Reinaldo aproveitou a visita do presidente nacional do PL a MS, Valdemar da Costa Neto — que veio para tratamento estético — para “salvar” sua candidatura.

Não houve reunião com o partido, mas a reportagem apurou que o ex-governador telefonou para Valdemar e marcou uma conversa às pressas. Inclusive, seria a terceira vez que o líder do PL vem a Campo Grande, mas esta não seria somente por motivos estéticos.

Logo após vídeo publicado nas redes sociais, o presidente nacional do PL diz que Reinaldo vai organizar o partido (no futuro), mas logo corrige, dizendo que já organizou (passado).

No entanto, fontes dentro do partido afirmam que pesquisas podem indicar outro nome da direita para a vaga ao Senado e que o nome de Reinaldo não é consenso.

O ex-presidente do PL em MS — e amigo íntimo de Bolsonaro — Tenente Portela lembra que o ex-presidente da República prometeu que uma vaga ao Senado pelo PL seria para Reinaldo. Apesar da promessa, admite que o nome de Reinaldo não é consenso no partido. “De primeira mão, não aceitaram [bolsonaristas de MS sobre Reinaldo no comando do PL]. Fomos conversando e, na base do diálogo, muitos aceitaram. Mas não foi totalidade. Tem alguns que não aceitam”, pontuou.

Hoje primeiro suplente da senadora Tereza Cristina, Portela acha difícil lançar uma chapa pura ao Senado — com dois candidatos do mesmo partido — e defende que o PL deve fazer aliança com partido do centro. Ele também apontou que o deputado federal Marcos Pollon seria bom nome da direita para disputar vaga ao Senado.

O retorno em novembro do ano passado de Capitão Contar ao partido já havia sido motivo de atrito no PL. Quem fez a filiação de Contar foi o próprio Valdemar, sem a presença de Reinaldo. A chegada do ex-deputado reforçou a insatisfação que a parte raiz da direita tem com a liderança do ex-tucano.

Divergências no PL
Ao lado de Valdemar, Reinaldo diz que organizou com o presidente nacional a estratégia para apoiar a reeleição de Eduardo Riedel (PP) ao governo do Estado.

No entanto, a linha defendida por Reinaldo não é apoiada por alguns integrantes com mandato dentro do PL.

Um deles é o próprio deputado federal Marcos Pollon, que possui amizade com a família Bolsonaro. Ele discorda do posicionamento do partido e defende candidatura própria ao governo.

Inclusive, ele se coloca como um pré-candidato pelo PL. “Sigo, sim, pré-candidato ao Governo. Como já disse anteriormente, só deixarei essa missão se o próprio presidente Jair Bolsonaro me pedir que decline do projeto que entendo ser o melhor para Mato Grosso do Sul”, diz Pollon, ressaltando que a decisão caberá ao ex-presidente.

Sobre os caminhos que o partido têm adotado em MS, Pollon reforça que é necessário ouvir a base. “Tenho confiança de que as decisões do PL serão tomadas respeitando a nossa base, esses valores e o sentimento dos eleitores da direita no Estado.”

Deputado estadual, João Henrique Catan (PL) é mais incisivo na crítica ao apoio do PL à reeleição de Riedel. “Por que o PT teve secretários do governo Riedel e o PL não teve?”

Então, reforçou que também é pré-candidato ao governo pelo PL. “Eu não abro mão disso, eu me coloco na condição de pré-candidato a governo pelo meu partido.”

Por outro lado, Coronel David, que teria sido escalado por Reinaldo para botar “panos quentes” nos focos de incêndio da sigla, minimizou as divergências internas e pontuou que as “pré-candidaturas de Reinaldo e Contar estão certas”.

Por fim, diz que o PL busca unidade: “O partido vem conversando para que a gente mantenha a unidade, entendeu? E nós vamos trabalhar para isso, para que o partido realmente não perca nenhum deputado, porque a gente precisa fortalecer o partido, porque a gente tem um projeto maior”.

A reportagem tentou falar com Reinaldo, mas as ligações não foram atendidas. O espaço segue aberto para posicionamento.

Assessoria de Imprensa do TOPS DO MS NEWS.